Obdulio Varela, lenda do Uruguai, completa 100 anos

O meio-campista Obdulio Varela, líder da seleção uruguaia campeã em 1950, completa 100 anos nesta quarta-feira (20/9). Ele nasceu em 20 de setembro de 1917, em Montevidéu (Uruguai). Até morrer, em 1996, aos 78 anos, ele carregou consigo não apenas o apelido de El Negro Jefe (“Chefe Negro”), mas também várias lendas. Muitas delas relativas à principal partida de sua vida: a final da Copa de 1950, em que o Uruguai derrotou o Brasil por 2 a 1, de virada.

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Segundo descreveu o escritor Nelson Rodrigues, Varela não atava as chuteiras com cordões, mas com as veias, tal sanguíneo era o jogador. Mas foi de Rodrigues a sugestão de outra lenda, a de que Varela intimidou os brasileiros ao dar um tapa em Bigode, ainda no primeiro tempo. “O tapa em Bigode ardeu no rosto da multidão”, escreveu Rodrigues. Mas todos os envolvidos no episódio negaram o tapa.

Outra lenda, a de que era possível ouvir os gritos de Varela no silêncio sepulcral do Maracanã, depois que o Uruguai empatou o jogo, é uma meia-verdade. O estádio só se calou mesmo quando Ghiggia fez 2 a 1. Varela recebeu a taça de campeão quase escondido, diante de um público catatônico com a derrota brasileira. Após o jogo, ele saiu pelas ruas do Rio de Janeiro, bebeu anonimamente cerveja com os brasileiros e ainda tentou consolar alguns deles.

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Anos depois, em entrevista à revista Placar, minimizou suas lendas. “Fui visto como o culpado pela derrota do Brasil e como o ganhador da Copa para o Uruguai. Nada disso. Não fui o culpado da derrota. Nem ganhei a Copa sozinho”, declarou.

Varela, curiosamente, quase nem foi àquela Copa. Já estava com 32 anos e achava-se velho para o Mundial. Acabou erguendo a taça. E ainda encontrou fôlego para disputar a Copa de 1954, dois meses antes de completar 37 anos. Atuou nas três primeiras partidas, mas se machucou na terceira, a vitória de 4 a 2 sobre a Inglaterra – a lesão ocorreu logo depois dele ter marcado o segundo gol uruguaio, num chute de fora da área. Não disputou a semifinal em que os uruguaios venderam caro a derrota para a então imbatível Hungria (4 a 2). Nem esteve em campo no revés contra a Áustria (3 a 1), que valia o terceiro lugar. Carregou consigo outra lenda, a de jamais ter perdido um jogo de Copa.

Aposentou-se em 1955. E viveu o que muitas lendas do futebol viviam naquela época em que as conquistas épicas eram premiadas com tapinhas nas costas. O prêmio da Copa de 1950 deu apenas para comprar um Ford usado –as medalhas de ouro recebidas pelos jogadores ficaram os dirigentes. Após deixar o futebol, teve que trabalhar até o fim da vida. Morreu pobre, em 2 de agosto de 1996. E só então foi reconhecido como lenda. A camisa celeste e as chuteiras que ele usou em 1950 – e guardara a vida inteira – foram parar num espaço nobre dentro do museu do Estádio Centenário, em Montevidéu.

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