Copa das Confederações tem um vencedor: o árbitro de vídeo, ou VAR

A Copa das Confederações 2017 termina neste domingo (2/7), com a final entre Alemanha e Chile, em São Petersburgo (Rússia). Nas semifinais, os chilenos venceram Portugal nos pênaltis, por 3 a 0 – o goleiro Bravo defendeu as três cobranças dos lusos. E a Alemanha goleou o México por 4 a 1. Independente de quem triunfe na decisão do título, a competição tem um vencedor: o árbitro de vídeo, o VAR (Video Assistente Referre, ou árbitro auxiliar de vídeo, pela sigla em inglês).

Como a Copa das Confederações é tratada pela Fifa como um laboratório de experiências para a Copa do Mundo, nada mais lógico que testar o árbitro de vídeo nessa reunião dos campeões continentais – no caso, Chile (América do Sul), Portugal (Europa), Austrália (Ásia; sim, Ásia), Nova Zelândia (Oceania), Camarões (África) e México (Américas Centrais e do Norte) – com o campeão mundial (Alemanha) e o país-sede (Rússia). Assim, podem ser feitos os últimos ajustes para o Mundial – algo que, no caso do VAR, será essencial.

Um dos pontos que gerou polêmica é: quando o árbitro de vídeo ele deve ser usado? Resposta: quando o árbitro requisitar. O árbitro é soberano. Os auxiliares de vídeo podem, no máximo, sugerir que houve uma marcação equivocada. Pode ser em qualquer lance? Em tese, deveria ser para tirar dúvida em lances polêmicos e capitais em gols, pênaltis e expulsões. Mas o recurso foi usado também para ver uma disputa no meio-de-campo. E deu bagunça. Após dividida entre Emre Can (Alemanha) e Ernest Mabouka (Camarões), o árbitro colombiano Wilmar Roldán pediu ajuda ao VAR. Em seguida, viu que a entrada foi violenta e expulsou o camaronês Sebastien Siani. Os Leões Indomáveis protestaram e o vídeo foi consultado de novo. E então o árbitro tirou o cartão vermelho de Siani e o deu para Mabouka.

No jogo conta o México, o meia Nani teve um gol anulado pelo VAR, isso depois de todo o time ter comemorado o tento – o vídeo flagrou que o zagueiro Pepe estava impedido no início da jogada. O placar final foi de 2 a 2. Na partida entre Rússia e México, Samedov estava irregular quando marcou o gol russo. E o árbitro não consultou o VAR. Ao menos, os mexicanos venceram por 2 a 1, de virada.

VAR

Pelo grupo B, o VAR esteve onipresente na partida entre Chile e Camarões. Após ver os recursos de vídeo, o árbitro Damir Skomina (Eslovênia) anulou um gol do chileno Vargas, ao fim do primeiro tempo (na foto). Mas referendou um gol do mesmo Vargas no fim da partida, quando o Chile vencia por 1 a 0 – a dúvida era quanto à posição de Alexis Sanchez na hora do lançamento. Sem o VAR, os dois lances teriam sido classificados como “interpretativos” de mesma linha. O jogo terminou 2 a 0.

Em outro jogo, Alemanha 3 x 2 Austrália, também houve confusão. A Alemanha vencia por 3 a 1 quando a Austrália diminuiu, aos 10-2º. O goleiro Leno soltou a bola em um chute fácil e a deixou nos pés de Juric, que marcou no rebote. Os alemães reclamaram de impedimento no lance. O VAR mostrou que Juric não estava impedido, mas ao mesmo tempo mostrou que a bola bateu em seu braço no lance do chute original, aquele que Leno não conseguiu segurar. Mesmo assim, o árbitro interpretou como toque não intencional e validou o gol.

Uma reclamação generalizada foi quanto ao tempo parado para cada decisão. Algumas vezes, o VAR esfriou a comemoração de um gol. Em outras, até a cancelou. Cada decisão leva uns dois minutos, em média. Os técnicos cobram mais rapidez. Contudo, algumas cobranças de faltas, substituições ou “cera” de goleiros que fingem lesão levam mais de dois minutos.

Em março, a International Board – entidade responsável pelas regras do futebol – vai dar a palavra final se o sistema poderá ser usado ou não na Copa do Mundo. Ainda haverá mais um teste no Mundial de Clubes, em dezembro, nos Emirados Árabes.

A exemplo do que se viu na Copa das Confederações, o VAR ainda precisa de ajustes. Principalmente de quando deve entrar em campo. “Globalmente, os resultados são muito positivos. Mas é verdade que precisam melhorar em muitos aspectos. O mais importante é que o vídeo não deixou nenhum erro claro passar”, disse o italiano Massimo Busacca, chefe de arbitragem da Fifa, na segunda-feira (26/6). Para todos os efeitos, o presidente da Fifa, Gianne Infantino, disse que adorou a experiência. Sinteticamente falando, o VAR é o vencedor da Copa das Confederações.

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