Copa do Mundo vai passar a ter 48 seleções. E agora?

A Fifa promoveu nesta terça-feira (10/1) a maior reforma da história da Copa do Mundo. O torneio foi inchado para abrigar 48 seleções, em vez das atuais 32. A medida vale a partir do Mundial de 2026. O inchaço já era ensaiado nas últimas semanas e foi confirmado pela entidade, após aprovação unânime no Conselho da Fifa.

Resultado de imagem para Taça do mundo

A grande questão é: como ficará a fórmula de disputa? Com 32 equipes tem-se o formato ideal: oito grupos de quatro times cada, com os dois melhores seguindo adiante. Os 16 times jogam em mata-mata para sobrarem oito, depois quatro e por fim dois finalistas. A fórmula, adotada pela primeira vez em 1998, é tão boa que passou a ser usada também na Liga dos Campeões e na Copa Libertadores.

Segundo a Fifa informou, com o novo formato, as 48 seleções serão divididas em 16 grupos na primeira fase. Cada grupo com três equipes. Os dois primeiros de cada chave – totalizando 32 times – avançam para o mata-mata, que assim ganhará mais uma fase. Pelo projeto aprovado, serão 80 jogos: 48 na fase de grupos e 32 em mata-matas (16 na primeira fase , 8 nas oitavas, 4 nas quartas, duas semifinais, a decisão do 3º lugar e a final). No fim das contas, o campeão terá disputado sete jogos, como ocorre desde 1974.

Um formato com grupos de três times foi usado na Copa de 1982, na Espanha. A fatídica tragédia do Sarriá, em que o Brasil foi eliminado diante da Itália, era o último jogo de um grupo que envolvia também a Argentina. No primeiro jogo, os italianos venceram os argentinos por 2 a 1. Na partida seguinte, os portenhos vieram desesperados diante do Brasil e perderam por 3 a 1. Por fim, a seleção de Telê Santana levou 3 a 2 dos italianos, que ali arrancaram para o título. Na época, a fórmula gerou queixas antes dessa fase – os brasileiros reclamaram dos 9 dias sem jogos – e depois – especulou-se que a Itália foi beneficiada por ter mais dias de descanso que o Brasil antes do jogo decisivo.

De qualquer forma, é possível que, com a nova fórmula de disputa, a Fifa promova também alterações nas regras da disputa. Jogos empatados na fase de grupos, por exemplo, podem acabar decididos nos pênaltis. E o número de substituições pode aumentar.

Sedes

Outra questão: com 48 equipes, será necessário inflar também o caderno de encargos da Fifa? Afinal, serão necessários mais estádios – ou usar os mesmos estádios mais vezes –, mais campos de treinamento e mais hotéis para abrigar delegações e torcedores. Em tese, isso restringiria drasticamente o número de candidatos a receber o Mundial. Contudo, a Fifa se diz aberta a permitir que uma Copa seja sediada por até três países ao mesmo tempo. No caso da América do Sul, o evento poderia ver uma aliança entre Argentina, Uruguai e Chile – algo que é cogitado para 2030, quando a Copa completa 100 anos desde a realização do primeiro Mundial, no Uruguai. A escolha para sede em 2026 será apenas em 2020. As próximas duas Copas já têm país-sede: Rússia em 2018 e Catar em 2022.

Nos próximos meses, haverá um debate sobre como serão repartidas as vagas para o torneio. Tudo indica que todos os continentes saiam ganhando. Haverá 16 vagas para europeus, 6 vagas (mais uma na repescagem) para a América do Sul, 9 (mais uma na repescagem) para a África, 8 (mais uma na repescagem) para os asiáticos, 6 (mais uma na repescagem) para as Américas Central e do Norte e uma para a Oceania.

Reclamações

Se o formato foi aprovado por unanimidade no Conselho da Fifa, não teve a mesma unanimidade fora da entidade. A Associação Europeia de Clubes, que representa clubes de futebol europeus, manifestou total desaprovação. “Nós não vemos os méritos de mudar o formato atual de 32 seleções que foi provado ser a fórmula perfeita de todas as perspectivas”, disse a associação, em nota. Houve reclamações de que os clubes não foram consultados. “O método não é aceitável. Há meses o Infantino (Gianni, presidente da Fifa) nos assegurou que nos consultaria sobre todos os assuntos que pudessem afetar o futebol profissional. E não foi feito isso. Infantino se comporta como Blatter, que tomava suas próprias decisões sem levar em conta o resto”, disse o presidente da Liga Espanhola, Javier Tebas. E reclamou-se de politicagem. “A Copa do Mundo com 48 seleções é um mau sinal. Somente coisas políticas foram levadas em consideração, não esportivas”, disse o diretor da Bundesliga Karl-Heinz Rummenigge.

O formato foi celebrado por federações menores, aquelas que raramente vão à Copa e veem na mudança uma oportunidade a mais para disputar o Mundial. Nova Zelândia e Irlanda do Norte manifestaram apoio.

Para acalmar os europeus, a Fifa ainda promete limitar a nova Copa a 32 dias. E também promete dar um fim na Copa das Confederações, algo que os europeus detestam.

Dinheiro

Se ouve tanta reclamação, por que a Fifa aprovou? A resposta, em uma palavra: dinheiro. A Fifa calcula que o crescimento da Copa traga um aumento de US$ 1 bilhão apenas nos contratos de TV. No Mundial de 2014, o lucro da entidade já tinha sido de US$ 5 bilhões.

Além disso, Gianni Infantino, o pai da ideia, ganharia a simpatia de mais países e, portanto, mais integrantes do Congresso da Fifa. E é esse congresso que elege o presidente da entidade. Isso funcionou muito bem quando João Havelange tinha como plataforma aumentar a Copa do Mundo de 16 para 20 ou 24 participantes; ele acabou eleito presidente da Fifa em 1974 e só saiu de lá em 1998.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *