Carlos Alberto Torres, o Capita, mais eterno do que nunca

Em 1966, Carlos Alberto Torres era presença certa na seleção brasileira naquela Copa do Mundo da Inglaterra. Era. Foi cortado da lista de 22 nomes, para que a então CBD pudesse incluir nela o limitado Fidélis, do Bangu, time de coração do então chefão Carlos Nascimento.

– Ninguém entendeu. Eu mesmo não entendi até hoje – disse Carlos Alberto em 2014.

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A forra veio quatro anos depois. Em 1970, era o único extraclasse de uma defesa com jogadores eficientes, mas sem brilho. E era o capitão de uma equipe cheia de feras do meio para a frente (Pelé, Gérson e Tostão está bom, ou quer mais, como Jairzinho e Rivellino?). Carlos Alberto coroou sua participação naquele mundial do México ao marcar o quarto gol na final sobre a Itália. Fechou uma jogada que contou com a participação de nove jogadores brasileiros e que se eternizou com a cena do volante Clodoaldo driblando quatro italianos no campo de defesa brasileiro.

– Vocês não ficaram com medo dele perder aquela bola perto da área brasileira? – veio a pergunta em 2014.

Carlos Alberto deu uma risadinha.

– Hehe mas naquele momento o jogo já estava decidido.

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– E aquele chute no canto do Albertosi?

– A bola que o Pelé passou deu uma pingadinha um pouquinho antes. Meu chute não era tão forte assim. – admitiu.

Aquele chute foi seu penúltimo momento em Copas. Seu último momento foi erguer a Taça Jules Rimet. Aliás, foi o último capitão a erguê-la, já que a taça, a partir daquele momento, ficaria para sempre no Brasil (pelo menos até ser derretida em 1983, mas aí já é outra história).

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Carlos Alberto, nascido em 17 de julho de 1944, ainda tinha condições de jogar as Copas de 1974 e 1978, mas ficou de fora. Encerrou a carreira em 1982, num jogo entre Flamengo e Cosmos (EUA), seus dois últimos clubes. Jogou um tempo em cada lado. Placar final: 3 a 3.

Depois tentou ser treinador. Foi campeão brasileiro com o Flamengo em 1983 e da Taça Conmebol em 1993, com o Botafogo – o equivalente atual à Copa Sul-Americana. Mas abandonou a carreira.

Passou a viver de imagem. E tinha direito: sua imagem como jogador era impecável. “Jogava muito, era marcador leal”, disse o ex-atacante Nilson Borges em 2014. Carlos Alberto é o único jogador brasileiro a entrar em três “melhores times de todos os tempos”. Foi eleito o melhor lateral-direito de Santos, Botafogo e Fluminense, segundo uma edição especial da revista Placar, de 2006. E foi, também, escolhido um dos melhores na história da seleção brasileira, segundo a revista Placar e o livro O Mundo das Copas.

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Carlos Alberto recebeu uma cópia do livro em mãos em 2014. Ao ver sua imagem desenhada na página da final da Copa de 1970, achou graça.

– É meu irmão! (O lateral tinha um irmão gêmeo, que morreu há um mês).

Ele pode ter saído das Copas precocemente como jogador, mas as Copas não saíram dele. O eterno Capita tornou-se uma espécie de embaixador da Taça Fifa, quando a taça vinha fazer tours pelo Brasil em anos de Copa do Mundo. Exerceu esse papel em 2010 e 2014. Tirava a taça da redoma e a beijava.

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– Já levantei uma. Eu vou beijar, mas não vou erguer. Vou deixar para o Thiago Silva erguer – sonhava, antes do Mundial do Brasil.

E ainda atendia os fãs com um sorriso.

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– Você está tampando a taça, ela não vai aparecer direito – disse o Capita a Rachel Ribas, em 3 de maio de 2014, quando ambos tiraram uma foto junto à Taça Fifa.

– Que taça? Você é que é importante – retrucou ela.

Depois de 2014, tornou-se comentarista-master do SporTV. Diante da mediocridade crescente na qualidade técnica do futebol brasileiro, Carlos Alberto era uma espécie de bastião do futebol bem jogado, do tempo que os craques ficavam no Brasil e do tempo que quem não tinha técnica não enganava.

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Era.

Porque, a partir desde 25/10, Carlos Alberto estará na companhia de Nasazzi, Combi, Meazza, Obdulio Varela, Fritz Walter, Bellini, Mauro e Bobby Moore, os outros capitães que tiveram o privilégio de erguer a Taça Jules Rimet. Agora, o “Capita” é mais eterno do que nunca.

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