Rojão, Rojas, Rosenery e uma festa estragada, 25 anos depois

Três de setembro de 1989. Aniversário de Luciane Maria Trippia. Dezoito anos. Ela festejava na casa dela mesma, com os irmãos Sandro e Andréa e uma série de amigos. O programa da tarde era o jogo de Brasil e Chile, que decidiria uma vaga na Copa do Mundo de 1990. Faz 25 anos. Um jogo que iria entra para a história, mas não pelos motivos normais.

Em condições normais, o Brasil era favorito à vaga na Copa. Estava em casa (no Maracanã). E jogava pelo empate, devido ao maior saldo de gols – o time então treinado por Sebastião Lazaroni aplicou goleadas mais polpudas no outro time do grupo, a Venezuela. No duelo entre brasileiros e chilenos em Santiago, empate em 1 a 1.

Havia muito nervosismo permeando o jogo no Maracanã. Dois anos antes, o Chile havia derrotado o Brasil por 4 a 0, pela Copa América, numa partida que, placar à parte, consagrou o goleiro Roberto Rojas. Tanto que o São Paulo, que na época tinha Gilmar Rinaldi no gol, contratou o chileno semanas depois. E, no duelo em Santiago, semanas antes, houve muita polêmica e uma suspensão de quatro jogos para Romário.

No clima desse nervosismo, havia o medo de uma vitória chilena, o que eliminaria o Brasil. Uma Copa do Mundo sem o Brasil era impensável, mas um risco não desprezível quando os times adentraram o campo do Maracanã. O primeiro tempo foi tenso. No segundo tempo, gol de Careca, Brasil 1 a 0. Um pouco de alívio. E eis que em seguida o jogo entrou para a história.

Aos 25 minutos, um sinalizador da marinha, disparado por uma torcedora, caiu no campo. Na imagem seguinte, Rojas aparecia com o rosto ensanguentado. Tudo muito rápido e com poucas explicações. Os chilenos alegaram  que não tinham mais condições de atuar e, carregando seu goleiro, deixaram o campo. A perspectiva da Fifa eliminar o Brasil da Copa por causa de um incidente desses estragou a festa de Luciane. Um clima de velório tomou conta da sala…

Depois, a Fifa descobriu a fraude de Rojas, que levara um bisturi escondido na luva, já com segundas intenções. Puniu o presidente da federação chilena, o técnico da seleção (Orlando Aravena) e o capitão Fernando Astengo com suspensão de cinco anos. Rojas acabou banido do futebol. O Chile, por fim, foi apenado com uma derrota de 2 a 0 – o que classificava o Brasil para a Copa – e a proibição de disputar o classificatório de 1994. O Brasil estava classificado. Rosenery, a tal torcedora que soltou o rojão (que caiu a um metro do goleiro), ganhou fama e até posou nua para a Playboy.

Vinte e cinco anos depois, em 3 de setembro de 2014, o jogo ainda é lembrado pelos incidentes. Como não lembrar? Rojas, que ganhou uma anistia da Fifa em 2000, conseguiu voltar a trabalhar com futebol – foi até treinador de goleiros do São Paulo. Rosenery morreu em 2011, aos 45 anos. E Luciane cobra até hoje uma reedição “normal” de sua festa de 18 anos.

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