Não era o momento para Dunga

Na quinta-feira, quando o nome de Dunga ganhou força para assumir a seleção, era de se pensar se ele iria mesmo assumir. Os números dele como treinador na seleção entre 2006 e 2010 eram bons, mas o jeito de ser dele acirrava as críticas em cima dele mesmo. Qualquer que fosse o nome, as críticas começariam antes mesmo do trabalho. E Dunga, que faz 50 anos em outubro, não precisava disso. Mas eis que neste domingo ele foi confirmado como técnico da seleção…

Em 2006, quando ele foi chamado para assumir a seleção, era necessário um treinador que colocasse ordem na baderna vista durante a Copa de 2006. O perfil disciplinador de Dunga era perfeito para isso. Era o momento dele. E, para o bem ou mal, Dunga colocou ordem.

Hoje, o momento é ruim para Dunga. Desta vez, há duas coisas que se desejam do treinador da seleção: descobrimento de jovens craques – artigo em falta no atual futebol brasileiro – e um padrão de jogo. Sob o comando de Dunga (e do auxiliar, Jorginho), a seleção jogava numa espécie de 4-2-3-1 “torto” – o meia-ponta da esquerda jogava muito mais avançado que o da direita, o que dava a impressão de um 4-4-2 – e tinha dificuldades contra equipes bem fechadas. Não havia variações táticas. Um problema que tende a se acentuar na atual entressafra de talentos do futebol brasileiro – acrescido do fato que, com a mesma entressafra, será muito mais difícil derrotar as Argentinas da vida.

Quanto a descobrir jovens craques, Dunga não tem esse perfil. A geração olímpica de 2008 foi queimada. E o treinador notabilizou-se por não ter levado Neymar, então com 18 anos, para a Copa de 2010. A justificativa era válida – o atacante não foi testado na seleção –, mas furada, já que havia tempo hábil para isso. No mesmo jogo em que Neymar não foi testado, Grafite ganhou uma vaga na seleção para a Copa do África do Sul. Tomara que Dunga tenha mudado nesse sentido. Mesmo porque a ajuda de Alexandre Gallo, que lida com as categorias de base da seleção, não é das mais abonadoras.

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