Brasil 0 x 3 Holanda. O jogo que era melhor não ter existido

O técnico da Holanda, Louis Van Gaal, chegou a declarar que a decisão de terceiro e quarto lugar é algo que não deveria existir. Isso depois que o time dele foi eliminado pela Argentina, nos pênaltis, nas semifinais da Copa do Mundo de 2014. A se julgar pelo que aconteceu com a seleção brasileira neste sábado (12/7), era melhor não existir mesmo. O Brasil perdeu por 3 a 0, viu a Holanda festejar o terceiro lugar no estádio Mané Garrincha, em Brasília, e terminou a Copa com um acréscimo de números negativos.

Para o Brasil, a Copa acabou no dia 8, depois de o time ter sido goleado pela Alemanha por 7 a 1 nas semifinais. Mas, na verdade, não acabou, já que um confronto de terceiro lugar estava na agenda. Havia cinco mudanças na escalação – saíram Dante, Marcelo, Fernandinho, Hulk e Fred para o retorno de Thiago Silva e as entradas de Maxwell, Paulinho, Ramires e Jô. Havia, ainda, a companhia de Neymar no banco de reservas. Ele interrompeu o período de repouso pela fratura na vértebra e veio especialmente acompanhar a equipe. A Holanda, por sua vez, perdeu Sneijder durante o aquecimento no estádio Mané Garrincha. Ele sentiu uma lesão muscular e deu lugar a De Guzman.

Clima favorável, então? Após a hecatombe do dia 8 (onde estava mesmo a seleção naquele dia?), ninguém sabia em que estado emocional o Brasil chegaria para esse jogo. Então, qualquer alento era bom. Mas o clima favorável não durou dois minutos. Logo no primeiro minuto, Thiago Silva derrubou Robben, que vinha na corrida em direção à área. O árbitro marcou pênalti e deu cartão amarelo ao defensor brasileiro. E Van Persie cobrou o pênalti no ângulo esquerdo, fora do alcance do salto correto de Júlio César. Isso aos 3 minutos. Aos 17, a Holanda tramou uma jogada no setor em que deveria estar Maxwell. David Luiz afastou mal a bola cruzada por Van Persie e a deu nos pés de Blind. Havia quatro jogadores de linha na área (Maicon, David Luiz, Thiago Silva e Luiz Gustavo) e três que assistiam à cena no entorno da área (Fernandinho, Willian e Maxwell). Ninguém deu combate a Blind, que teve tempo de dominar a bola com o pé esquerdo e chutá-la de direita no ângulo esquerdo. Quem sabe falar inglês imediatamente postou nas redes sociais que até cego fazia gol na seleção.

O placar de 2 a 0 e os erros cometidos pela defesa mascararam as falhas do árbitro nos dois lances capitais. No primeiro, a falta de Thiago Silva em Robben ocorreu fora da área – e, pela letra fria da lei, o zagueiro deveria ter levado cartão vermelho, por impedir uma chance clara e manifesta de gol. No segundo, Van Persie estava impedido quando recebeu a bola antes de cruzá-la.

Depois disso, o Brasil até tentou uma reação. Com ou sem as mudanças (entraram Fernandinho, Hernanes e Hulk nos lugares de Luiz Gustavo, Paulinho e Ramires), Oscar era o que mais buscava o jogo. Chegou a dar dois chutes que exigiram algum trabalho do goleiro Cillessen para defender. O árbitro continuava falhando. Ignorou um pênalti em que Vlaar bloqueou com o braço um cruzamento de Hulk e outro em que Blind derrubou Oscar na área – o holandês saiu machucado no lance. E Julio Cesar não teve que fazer nenhuma defesa. Tudo foi esquecido quando, aos 45 minutos, a Holanda fez uma jogada como se não houvesse alguém marcando na lateral-esquerda brasileira e Wijnaldum, após receber um cruzamento de Janmaat, mandou para dentro. Holanda 3 x 0 Brasil.

O Brasil terminou a Copa em 4º lugar e com mais marcas negativas – além daquelas cravadas após o dia 8 de julho. Terminou uma Copa com a pior defesa em sua história (14 gols) e a pior defesa deste Mundial. Pela primeira vez desde 1966, terminou uma Copa com saldo negativo (-3 gols). Pela terceira vez, sofreu duas derrotas em uma mesma Copa (as outras foram em 1966 e 1974). E viu a Alemanha tomar a dianteira no número global de gols marcados, independente do que aconteça na final de domingo, em que os algozes do Brasil vão enfrentar os eternos rivais do Brasil, os argentinos.

 

 

Brasil 0 x 3 Holanda
Brasil (4-2-3-1)
12. Júlio César 5
23. Maicon 5
3. Thiago Silva 4
4. David Luiz 4
14. Maxwell 3
17. Luiz Gustavo 4,5
><5. Fernandinho, int 5
8. Paulinho 4,5
><18. Hernanes, 12-2 5,5
16. Ramires 5
><7. Hulk, 28-2 5,5
19. Willian 5,5
11. Oscar 5,5
21. Jô 5
Holanda (3-4-1-2)
1. Cillessen 6
><22. Vorm, 45-2 s/n
3. De Vrij 7
2. Vlaar 7
4. Martins Indi 6
15. Kuyt 6
16. Clasie 6,5
><13. Veltman, 45-2 s/n
8. De Guzmán 5,5
5. Blind 7
><7. Janmaat, 25-2 6,5
20. Wijnaldum 7
11. Robben 7
9. Van Persie 7

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