Brasil 1 x 1 Chile. A César o que é de César

Em 2010, o goleiro Júlio César saiu de campo contra a Holanda taxado como grande vilão da eliminação brasileira – mais até que o verdadeiro vilão, o volante Felipe Melo. Ninguém no atual elenco carregava uma cruz desse tamanho. Mas, neste sábado (28/6), o goleiro teve um momento de redenção em Copas do Mundo. Fez uma defesa importante no tempo normal e pegou dois pênaltis diante do Chile o que classificou a seleção brasileira para as quartas-de-final. A César o que é de César.

Se o retrospecto em Copas valesse, o Chile não precisava nem entrar em campo. Em três disputas, o Brasil venceu todas – 4 x 2 nas semifinais em 1962, 4 x 1 nas oitavas em 1998 e 3 x 0 nas oitavas em 2010. Mas o retrospecto não entrou em campo. Entrou o Chile. Num esquema com dois laterais, três zagueiros, três volantes e dois atacantes. Sinteticamente, o mesmo esquema que derrotou a Espanha por 2 a 0, na fase de grupos.

Luiz Felipe Scolari tinha razão quando dizia que o Chile era perigoso e que o sistema dos chilenos não encaixava direito com o esquema da seleção brasileira. O time entrou no 4-3-3, com Fernandinho no lugar de Paulinho e a proposta de roubar a bola no campo adversário para atacar rápido. E conseguiu abrir o placar aos 18 miuntos. Neymar cobrou escanteio, Thiago Silva desviou pelo alto e Jara, na pequena área, atrapalhou-se com David Luiz e chutou torto. A bola resvalou no quadril do zagueiro brasileiro e entrou. O gol saía no decantado ponto fraco chileno, a pouca altura para rechaçar bolas aéreas. O lance saiu minutos antes de o árbitro Howard Webb ignorar um pênalti de Silva em Hulk. E, depois do gol, o Brasil teve 14 minutos em que podia se fechar e apostar em contragolpes. Quando os conseguia, acaba desperdiçando porque os jogadores davam um toque a mais na bola.

E o Chile empatou aos 32, num decantado ponto fraco do Brasil: a saída de bola da defesa. Perto da área, Marcelo bateu um lateral para Hulk, que devolveu sem força. Vargas, que estava atrás dele, tomou a frente e cruzou de primeira, diante de um Marcelo que ficou esperando a bola chegar aos seus pés. A bola passou à frente de David Luiz – posicionado corretamente na marcação de Vidal – e chegou a Alexis Sanchez, mal marcado por Thiago Silva. O chileno teve tempo de dominar e chutar à direita de Júlio César antes de o zagueir chegar à jogada. O gol e a ameaça chilena deram à torcida a sensação de que o Brasil poderia perder o jogo, mesmo em casa. E, para piorar, a seleção desperdiçou dois contragolpes – em um deles, Neymar perdeu a bola porque tentou um drible a mais e Fred perdeu gol feito ao chutar por cima do travessão.

Na etapa final, o Brasil criou pouco. Um dos raros lances saiu com Hulk, aos 9 minutos. Oscar cruzou e o atacante ajeitou a bola com o avantajado bíceps para chutar de canela no canto direito do goleiro Bravo. A comemoração broxou em poucos segundos, já que o auxiliar alertou o árbitro do toque de braço. Para piorar, o Chile – que tinha 54% de posse bola contra 46% do Brasil – passou a dominar as ações. Em sua chance mais clara, aos 19 minutos, Isla e Vidal tabelaram e o lateral cruzou para Aránguiz, que bateu de primeira. Julio Cesar salvou o arremate à queima-roupa. Na linha de frente, Neymar sumia, e era Hulk quem tentava resolver as coisas. E Jô, substituto de Fred, também perdeu um gol feito. Como havia predomínio do Chile, o apito final sem mais gols soou como um alívio no Mineirão.

Na prorrogação, Hulk teve uma boa chance, em chute de fora da área, mas parou no goleiro Bravo. E, no minuto final, Pinilla recebeu, girou em cima de Thiago Silva e chutou forte. A bola passou por Júlio César e bateu no travessão.

Viriam os pênaltis.

David Luiz acertou a primeira cobrança. E Júlio César aparou o primeiro chute chileno, de Pinilla. Mas Willian, que havia entrado na prorrogação, desperdiçou o dele, ao mandar para fora. Júlio César voltou a brilhar ao defender a cobrança do perigoso Alexis Sanchez. E Marcelo fez 2 a 0. A vitória parecia iminente, mas Aranguiz converteu o pênalti dele, Hulk chutou em cima de Bravo e Díaz empatou. Com o placar de 2 a 2, Neymar acertou o canto direito do goleiro, deslocando-o. E Jara acertou a trave esquerda. O Brasil estava classificado.

 

Brasil 1 x 1 Chile
Brasil (4-3-3)
12.Júlio César 8
2.Daniel Alves 6
3.Thiago Silva 5,5
4.David Luiz 7
6.Marcelo 6
17.Luiz Gustavo 7
5.Fernandinho 5
><16.Ramires, 27-2 5,5
11.Oscar 6
><19.Willian, int.prorr. 5
7.Hulk 6
9.Fred 5
><21.Jô, 19-2 5
10.Neymar 6,5
Chile (5-3-2)
1.Bravo 6,5
4.Isla 6
5.Silva 6,5
17.Medel 6,5
><13.Rojas, 3-2 prorr. 6
18.Jara 6
2.Mena 6,5
21.Díaz 6
20.Aránguiz 5
8.Vidal 5
><9.Pinilla, 42-2 5,5
7.Sánchez 7
11.Vargas 6
><16.Gutierrez, 12-2 6

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