Cristiano Ronaldo, agora melhor do mundo, terá que desafiar tabu

O português Cristiano Ronaldo foi eleito, nesta segunda-feira (13/1), o melhor jogador da temporada de 2013. Após quatro anos, finalmente bateu o argentino Lionel Messi, vencedor em todos os anos desde 2009. Na Copa do Mundo do Brasil, o gajo terá que desafiar um tabu: o melhor do mundo costuma quebrar a cara – não significa necessariamente jogar mal – no Mundial do ano seguinte.

Senão, vejamos. O prêmio de melhor do mundo da Fifa foi instituído em 1991. Desde então, jogadores eleitos em anos pré-Copa nunca conseguiram ser campeões. Pior: costumam falhar em momentos decisivos.

Eleito melhor do mundo em 1993, o italiano Roberto Baggio fez uma boa Copa em 1994. Foi decisivo nos jogos de mata-mata contra Nigéria, Espanha e Bulgária. Seria o melhor daquele Mundial, caso tivesse anotado um golzinho na final e saísse com o título. Não fez. Aí chegou a hora dos pênaltis. Ele chutou por cima. A Itália perdeu a Copa para o Brasil, graças ao erro de Baggio. E o italiano viu Romário se consagrar como o melhor da Copa – e do mundo naquele mesmo ano.

Em 1997, Ronaldo sagrou-se bicampeão do prêmio da Fifa. Na Copa de 1998, na França, fez partidas de médio para bom. Até que teve um piripaque horas antes da final contra os anfitriões. Ficou sem condições de jogo, mas jogou assim mesmo. Não por culpa dele, o Brasil perdeu por 3 a 0. A Fifa até deu a Ronaldo o prêmio de melhor da Copa. Não serviu de consolo, claro.

Em 2001, o português Figo foi aclamado. Sua seleção chegou à Copa de 2002, no Japão e na Coreia do Sul, como candidata a sensação. Figo passou o Mundial em branco. E o time luso naufragou na primeira fase num grupo com Coreia do Sul, Estados Unidos e Polônia – ou seja, ninguém que assustasse.

Quatro anos depois, Ronaldinho Gaúcho terminou a temporada como o melhor do planeta. Já diziam que ele era melhor que Pelé. Ele desembarcou na Alemanha, para a Copa de 2006, como um jogador mágico, estrela máxima de uma seleção brasileira cheia de estrelas. Não brilhou em momento nenhum. Nenhum gol. Apenas um passe direto para gol. Um ou outro passe mais ousado. No momento em que o Brasil mais precisou dele – em uma cobrança de falta frontal nas quartas-de-final contra a França, que vencia por 1 a 0 –, Ronaldinho chutou para fora. E assim o Brasil caiu fora da Copa.

Em 2009, o argentino Messi ganhou o primeiro de seus quatro troféus de melhor do mundo. Comandava uma seleção argentina forte do meio para a frente, mas fraca do meio para trás. Messi fez uma Copa boa, mas não marcou nenhum gol. Não faltou esforço para isso, pois foram 30 finalizações, sendo 15 na direção certa. Nas quartas-de-final contra a Alemanha, a Argentina chutou mais (14 a 12), teve mais posse de bola (53% a 47%). Mas o placar… 4 a 0 para os alemães.

Os outros eleitos pela Fifa foram o alemão Lothar Matthäus (1991), o holandês Marco van Basten (1992), o brasileiro Romário (1994), o liberiano George Weah (1995), o brasileiro Ronaldo (1996 e 2002), o francês Zidane (1998, 2000 e 2003), os brasileiros Rivaldo (1999) e Ronaldinho Gaúcho (2004), o zagueiro italiano Cannavaro (2006), o brasileiro Kaká (2007) e o próprio Cristiano Ronaldo (2008).

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