A Fifa, a tecnologia e a linha de gol
Bola com chip? Câmeras na linha de gol? Alguma outra opção? Fato é que a Copa do Mundo de 2014 terá tecnologia para detectar se a bola cruzou mesmo a linha de gol. Quem garante é ninguém menos que o presidente da Fifa, Joseph Blatter, em declarações nesta segunda-feira (23/1).
“No Brasil, teremos a tecnologia para a linha de gol”, garantiu Blatter, em entrevista à revista alemã Kicker. Segundo ele, o uso de tais recursos está na pauta da reunião da International Board, órgão que regulamenta as regras do futebol, nos próximos dias 2 a 3 de março. Ali, deve-se discutir de que forma a tecnologia vai confirmar o gol.
O histórico de gols validados sem que a bola tenha cruzado a risca de gol — ou de gols não validados em que a bola realmente entrou — é longo. Em Copas do Mundo, há um caso de cada, ambos envolvendo Inglaterra e Alemanha. Na final de 1966, uma bola chutada pelo inglês Hurst, no primeiro tempo da prorrogação (houve empate em 2 a 2 no tempo normal), bateu no travessão, quicou em cima da risca e voltou para o campo. Para ser gol, a bola tem que cruzar totalmente a linha. Mesmo assim, o árbitro, o suíço Gottfried Dienst, validou o lance. E isso abriu caminho para uma vitória de 4 a 2 e o consequente título inglês.
Em 2010, o troco. Uma bola chutada pelo inglês Lampard bateu no travessão e caiu 33 centímetros atrás da risca antes de pular de volta para o campo. O árbitro, o uruguaio Jorge Larrionda, não deu o gol. Àquela altura, a Alemanha vencia por 2 a 1. Com a vantagem mantida no placar, ela abriu caminho para a goleada por 4 a 1 e a consequente classificação para as quartas-de-final. “Não podemos voltar a permitir um desastre como o gol da Inglaterra contra a Alemanha no Mundial passado”, disse Blatter à Kicker. “Quando vi (o lance), fiquei paralisado”.
Curiosamente, a Fifa sempre foi reticente quanto ao uso de tecnologia para mediar as partidas. Tanto que dirigentes da entidade afirmaram, em ocasiões anteriores, que o erro deixa o futebol mais atraente. A Fifa nem se deu ao luxo de testar tais recursos em torneios como os mundiais sub-20 ou sub-17. Mas, em pleno século 21, a tecnologia parece estar curvando a entidade.



Graduado em Publicidade e em Jornalismo, Lycio Vellozo Ribas é jornalista esportivo desde 1998, ano em que começou a trabalhar no Jornal do Estado, em Curitiba. Era subeditor de esportes durante a Copa do Mundo de 1998. Depois, chegou aos cargos de editor e secretário de redação, que exerce até hoje. Como profissional de jornalismo, viu de perto as Copas de 1998, 2002 e 2006. Mas a carreira como pesquisador de informações sobre futebol começou mesmo em 1982. De porte de um álbum de figurinhas, ele acompanhou o Mundial daquele ano – e, assim como milhões de brasileiros, sentiu-se órfão de uma seleção que jogava bonito, mas não levou o título. Ali começou a busca por informações sobre aquele que é o maior espetáculo da Terra.

