O aposentado goleiro Marcos: 29 partidas pela seleção brasileira

4 de janeiro | Postado por Lycio |

O goleiro Marcos, do Palmeiras, decidiu pela aposentadoria nesta quarta-feira (4/1), bem ao seu estilo simples. Teve uma reunião com o diretor de futebol César Sampaio e falou: “Pô, Sampaio, é foda, mas vou ter que parar”. Aos 38 anos – completa 39 em agosto –, ele não resistiu às constantes lesões. Foi o mesmo motivo que fez Ronaldo parar de jogar em 2011.

Não é difícil dizer por que Marcos se tornou um ídolo não só do Palmeiras, mas de todo o Brasil. Primeiro, por sua sinceridade simplista – mesmo que isso incomodasse alguns colegas. Segundo, por assumir seus erros (às vezes, além da conta). Terceiro, por ser gente fina. Tipo do cara que qualquer um gostaria de ter como amigo e levaria sem cerimônia para jantar com a mãe. Quarto, porque, fiel ao Palmeiras de que sempre gostou, recusou-se a jogar por outro clube, mesmo que a lógica indicasse o contrário. Em 2002, ausente em muitas partidas, não conseguiu impedir que o time caísse para a segunda divisão nacional. Em seguida, disse “não” a uma proposta do Arsenal. Em vez de disputar a prestigiada Premier League, ralou nos gramados da Série B – e levou o Palmeiras de volta à elite.

Isso, claro, além da qualidade técnica. O goleiro defendeu o Palmeiras em 530 partidas desde 1993, conquistando 11 títulos. E foi o grande destaque na última grande fase do time, que rendeu o título da Copa Libertadores de 1999. Foi eleito o melhor jogador da competição. Além disso, sempre brilhava contra o maior rival, o Corinthians. A defesa de um pênalti cobrado por Marcelinho Carioca na semifinal da Libertadores de 2000 é, talvez, a mais prestigiada da história palmeirense.

Essa qualidade técnica fez com que o técnico Luiz Felipe Scolari escolhesse Marcos como seu goleiro titular no tempo em que dirigiu a seleção. Não era a primeira convocação. Zagallo o havia chamado em 1996 e sua estreia pela seleção foi sob o comando de Vanderlei Luxemburgo, em 13 de novembro de 1999, num amistoso contra a Espanha – o jogo terminou sem gols. O goleiro retribuiu a confiança de Scolari. Foi titular da Copa de 2002 e um dos protagonistas do título. Nas oitavas-de-final, fez pelo menos seis defesas salvadoras contra a Bélgica quando o jogo ainda estava 0 a 0 – terminou 2 a 0 para o Brasil. Na final contra a Alemanha, defendeu uma falta venenosa cobrada por Neuville quando o jogo estava 0 a 0, pouco antes de Ronaldo marcar o primeiro gol de uma nova vitória por 2 a 0. No fim, ainda salvou um chute no contrapé, desferido por Bierhoff.

Na Copa, Marcos fez sete partidas e levou apenas quatro gols. Naquele ano de 2002, foi eleito o quarto melhor do mundo pela IFFHS (Federação Internacional de História e Estatísticas de Futebol, pela sigla em inglês), atrás de Oliver Kahn (Alemanha), Casillas (Espanha) e Rüstü (Turquia).

Pela seleção, Marcos jogou 29 partidas e sofreu 24 gols. Scolari o deixou de fora em apenas duas das 26 partidas em que dirigiu a equipe – dois amistosos, contra Bolívia e Arábia, no começo de 2002. Depois da saída do treinador, o goleiro atuou quatro vezes sob o comando de Carlos Alberto Parreira. A última vez foi em 22 de maio de 2005, no empate em 2 a 2 com o Japão pela Copa das Confederações.

Em 2008, a revista Placar fez um comparativo entre Marcos e Rogério Ceni, do São Paulo, provavelmente o único jogador com idolatria semelhante, para ver quem era o melhor goleiro. Na pontuação final da palavra de seis analistas, Ceni teve quatro pontos a mais. Mas outro tipo de leitura indica vantagem do palmeirenese. Marcos foi melhor nos quesitos “defesa pelo alto”, “defesa pelo chão”, “saída pelo alto” e “saída pelo chão” – quatro dos seis itens analisados e exatamente os mais fundamentais para um goleiro. Ceni venceu nos itens “liderança” e “reposição de bola” – desse último saiu a diferença expressiva a favor dele, que pesou na pontuação final.

Sem Marcos, o futebol brasileiro fica menos brilhante. E menos divertido.

Faça um comentário


Nome

E-mail

Sobre o Autor

Autor do livro O Mundo das CopasGraduado em Publicidade e em Jornalismo, Lycio Vellozo Ribas é jornalista esportivo desde 1998, ano em que começou a trabalhar no Jornal do Estado, em Curitiba. Era subeditor de esportes durante a Copa do Mundo de 1998. Depois, chegou aos cargos de editor e secretário de redação, que exerce até hoje. Como profissional de jornalismo, viu de perto as Copas de 1998, 2002 e 2006. Mas a carreira como pesquisador de informações sobre futebol começou mesmo em 1982. De porte de um álbum de figurinhas, ele acompanhou o Mundial daquele ano – e, assim como milhões de brasileiros, sentiu-se órfão de uma seleção que jogava bonito, mas não levou o título. Ali começou a busca por informações sobre aquele que é o maior espetáculo da Terra.

As Seleções

África do Sul França México Uruguai argentina Grécia Coréia do Sul Nigéria Inglaterra Eslovênia Estado Unidos Argélia Alemanha Sérvia Austrália Gana Holanda Dinamarca Japão Camarões Itália Eslováquia Nova Zelândia Paraguai Brasil Portugal Coréia do Norte Costa do Marfim Espanha Suíça Honduras Chile

Enquete da semana