Superclássico começa como “zeroclássico”
Terminou sem gols o primeiro embate entre Brasil e Argentina, válido pelo Superclássico das Américas — reedição da antiga Copa Roca. Contando somente com jogadores que atuam nos respectivos países, as duas equipes mostraram pouca inspiração no estádio Mario Kempes, em Córdoba, na noite de quarta-feira (15/9).
O placar de 0 a 0 foi um reflexo do baixo número de finalizações durante toda a partida. A Argentina arrematou 10 vezes, sendo apenas duas na direção do gol — o goleiro Jefferson pegou ambas sem grandes problemas. O Brasil, por sua vez, chutou uma bola para fora, duas na trave — ambas de Leandro Damião — e duas que exigiram defesas do goleiro argentino. Essas duas foram em cobranças de falta de Ronaldinho Gaúcho.
Ronaldinho Gaúcho e Leandro Damião, além de Neymar, eram as grandes estrelas da partida, mas só brilharam nos 25 minutos finais, depois da entrada de Oscar em lugar de Renato Abreu. Do lado argentino, havia poucos jogadores renomados. Os destaques foram o zagueiro Sebá Dominguez (ex-Corinthians) e o atacante Boselli, herói do Estudiantes na conquista da Libertadores de 2009. O time se ressentia das ausências de Riquelme e Verón — o primeiro pediu dispensa e o segundo está lesionado.
O Superclássico das Américas, dividido em duas partidas, será definido daqui a duas semanas, no dia 28, no estádio Mangueirão, em Belém. Em caso de novo empate, o troféu do confronto será decidido nas cobranças de pênalti.

A Argentina teve predomínio territorial no primeiro tempo. A defesa brasileira era constantemente posta à prova em cruzamentos das pontas para a área, devido à inoperância dos laterais, e ficava exposta no meio-campo, uma vez que os volantes Ralf, Paulinho e Renato Abreu batiam cabeça na marcação. A situação só melhorou depois que Boselli, com dores na coxa, deixou o campo — ele havia finalizado com perigo pelo menos três vezes. A única boa jogada brasileira foi aos 12 minutos, quando Neymar recebeu lançamento de Réver, deixou a zaga argentina para trás e cruzou para Leandro Damião, que, com o gol aberto, acertou a trave.
O time da casa manteve o controle da partida no início do segundo tempo até que, aos 18 minutos, Oscar entrou no lugar de Renato Abreu. Aos poucos, o Brasil cresceu em campo. Ronaldinho que antes caía pela esquerda, ficou centralizado, distribuindo bolas. Foi dele os dois únicos chutes em direção ao gol, ambos em cobranças de falta. Mas a melhor chance de gol foi de Leandro Damião. Aos 31 minutos, ele deu o drible da “lambreta” em Papa e bateu por cobertura. Acertou a trave de novo.



Graduado em Publicidade e em Jornalismo, Lycio Vellozo Ribas é jornalista esportivo desde 1998, ano em que começou a trabalhar no Jornal do Estado, em Curitiba. Era subeditor de esportes durante a Copa do Mundo de 1998. Depois, chegou aos cargos de editor e secretário de redação, que exerce até hoje. Como profissional de jornalismo, viu de perto as Copas de 1998, 2002 e 2006. Mas a carreira como pesquisador de informações sobre futebol começou mesmo em 1982. De porte de um álbum de figurinhas, ele acompanhou o Mundial daquele ano – e, assim como milhões de brasileiros, sentiu-se órfão de uma seleção que jogava bonito, mas não levou o título. Ali começou a busca por informações sobre aquele que é o maior espetáculo da Terra.

