Brasil teve gana contra Gana
O Brasil enfrentou — e venceu, por 1 a 0 — a seleção de Gana, nesta segunda-feira (5/9), no Craven Cottage, em Londres. O resultado tende a aliviar um pouco a pressão sobre o técnico Mano Menezes. O curioso é que, quando ele assumiu a seleção, havia um clamor para que a equipe se renovasse, e ele o fez. Depois de atender ao clamor popular e renovar a equipe, vieram alguns tropeços. E muita gente pedia sua cabeça. Parece que a convicção de muitos não resiste por muito tempo.
Assim como parecia que a convicção de Mano para renovação não fazia sentido quando se pensa que ele chamou Ronaldinho Gaúcho, 31 anos. Porém, ele assumiu em campo o status de ídolo e tentou chamar a responsabilidade. Não teve uma atuação sobrenatural, mas seu superior nível técnico em relação aos outros (Neymar inclusive) chamou atenção.
Gana pode não ter o glamour de Argentina ou Alemanha, mas não pode, em hipótese nenhuma, ser considerada uma baba. É a atual vice-campeã africana e foi muito bem na Copa do Mundo de 2010. Por sinal, sete titulares daquela equipe — Pantsil, Mensah, Vorsah, Inkoom, Muntari, Asamoah e Ayew — estavam no campo diante do Brasil.

O começo de jogo indicava complicações. Gana mostrou mais força física e levou mais perigo nos primeiros 10 minutos. Nesse meio-tempo, o Brasil perdeu o meia Paulo Henrique Ganso, machucado. Ele deu lugar a Elias. Coincidência ou não, o time se aprumou no meio-campo a partir daí. Gana só aparecia quando cometia faltas duras — até que o lateral Opare, depois de cometer a quinta infração violenta, foi expulso aos 33 minutos. Depois disso, a seleção brasileira tomou conta de vez do jogo. E Leandro Damião — que havia feito um gol de cobertura, mas impedido, aos 26 minutos — recebeu bom passe de Fernandinho e bateu cruzado, marcando o único gol do jogo.
O segundo gol não saiu, mas não foi por falta de esforço da seleção. O goleiro ganês, Kwarasey, colecionoui defesas. Aparou uma tentativa de Leandro Damião, três faltas bem cobradas por Ronaldinho e uma cabeçada fulminante de Alexandre Pato, após cruzamento genial de Ronaldinho. Assim, a vitória brasileira se resumiu a um magrinho 1 a 0. Triunfo de uma equipe que vai se renovando, mas que ainda conta com velhos conhecidos.



Graduado em Publicidade e em Jornalismo, Lycio Vellozo Ribas é jornalista esportivo desde 1998, ano em que começou a trabalhar no Jornal do Estado, em Curitiba. Era subeditor de esportes durante a Copa do Mundo de 1998. Depois, chegou aos cargos de editor e secretário de redação, que exerce até hoje. Como profissional de jornalismo, viu de perto as Copas de 1998, 2002 e 2006. Mas a carreira como pesquisador de informações sobre futebol começou mesmo em 1982. De porte de um álbum de figurinhas, ele acompanhou o Mundial daquele ano – e, assim como milhões de brasileiros, sentiu-se órfão de uma seleção que jogava bonito, mas não levou o título. Ali começou a busca por informações sobre aquele que é o maior espetáculo da Terra.

