Pelé completa 70 anos ensinando do que um mito deve ser feito

Edson Arantes do Nascimento completa 70 anos de vida neste sábado (23). O que era para ser apenas um aniversário de uma pessoa comum tornou-se um fato midiático porque Edson Arantes do Nascimento é, na verdade, Pelé, o maior mito produzido pelo futebol. Este, como diz o filme homônimo, é eterno mesmo.

Os feitos de Pelé nos gramados falam por si. Foram oficialmente 1.283 gols — há, ainda, um 1.284º, que alguns pesquisadores confirmam. Três títulos mundiais com a seleção brasileira, algo que ninguém na história conseguiu. Dois títulos mundiais, duas copas Libertadores e dezenas de títulos nacionais e estaduais pelo Santos, único time que defendeu enquanto atuou em solo brasileiro. Incontestavelmente é considerado o melhor jogador de todos os tempos — menos na Argentina, onde insistem em dar esse posto a Maradona.

Os superlativos na carreira de jogador renderam a Pelé o título de “atleta do século”, entregue em 1981 pelo jornal francês L’Equipe e referendado pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) em 1999. A nomenclatura de “Rei do Futebol” veio bem cedo, ainda nos anos 60.

Não é só por isso, porém, que Pelé se tornou o maior mito do futebol nacional. Há quem diga que ele é o mais ilustre filho dos 510 anos de história do Brasil — o jornalista Juca Kfouri, da Folha de S. Paulo, engrossa essa lista. Não faltam fatores extracampo que contribuíram para isso.

Um deles é o exemplo de superação. Pelé nasceu no seio de uma família que, se não era miserável, estava longe de ter uma vida confortável. Teve uma educação correta e conseguiu vencer na vida usando-se apenas do seu esforço, sem desonestidades com outras pessoas.

Além disso, soube sair de cena na hora certa. Despediu-se da seleção aos 30 anos, com três títulos mundiais e quase 100 gols, um recorde na época. Deixou o Santos em 1974, aos 33 anos, para assinar com o Cosmos, de Nova York, e ajudar a promover o futebol nos Estados Unidos. Nos três anos que passou por lá, só se via o que ele fazia de melhor. Tudo isso ajudou a construir um mito de que ele nunca jogava mal. A decadência da carreira, inevitável com o passar dos anos, praticamente não foi exposta.

Pelé também não criou polêmicas quando era jogador, nem mesmo quando grupos atribuíam certas obrigações a ele — como, por exemplo, defender os direitos dos negros. Problemas de relacionamentos com colegas no Santos e na seleção eram quase inexistentes. As frases canhestras que soltou já após abandonar os gramados foram tratadas mais como folclore que como fatos passíveis de arranhar a imagem.

Imagem, aliás, foi algo que Pelé soube preservar. Segundo o ex-jogador Tostão, que conviveu com ele na Copa de 1970, Pelé nunca teve problemas com a fama. Pelo contrário, convivia muito bem com ela e gostava disso. E soube capitalizar muito bem em cima. Até hoje, assina contratos publicitários que lhe rendem muito mais dinheiro que na época de jogador — em 1970, no auge da forma, tinha um salário que atualmente equivale a R$ 5.500. Edson Arantes do Nascimento, uma pessoa física comum, poderia ter uma aposentadoria comum. Pelé, um mito imortal, não.

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