Paraguai 0 x 1 Espanha – O franco atirador e a franca favorita

O Paraguai contava com uma defesa segura, mas o ataque não vinha bem, e sabia disso. A Espanha, embora tivesse uma linha de frente poderosa, não tinha um número de gols que justificasse isso — eram apenas seis em quatro jogos. Dessa forma, era de se esperar que o duelo entre os dois, neste sábado (3/7), pelas quartas-de-final, tivesse poucos gols, ou até nenhum. De fato. Mas não foi por falta de esforço. Os dois times perderam um pênalti cada. E mesmo o único gol do jogo, que deu a vitória e a classificação à Espanha, saiu de uma jogada em que a bola bateu três vezes na trave antes de entrar.

No duelo, o franco-atirador Paraguai assumiu a condição de time pequeno. Em relação ao jogo anterior, tirou um atacante (Santa Cruz) para a entrada de outro meia (Santana). A ideia era congestionar o meio-campo, impedindo o toque de bola da franca favorita Espanha. E deu certo. Nos primeiros 10 minutos, os sul-americanos estiveram superiores, e só cederam espaço nos últimos 20 minutos da etapa. No fim, Valdez marcou um gol, que o árbitro anulou. O atacante paraguaio não estava impedido, mas o colega Cardozo, que interferiu no lance, estava.

Se no primeiro tempo o jogo foi arrastado, ganhou em emoção a partir dos 12 minutos do segundo tempo, quando o árbitro Carlos Batres deu contornos dramáticos, numa série de pênaltis com decisões sem critério. Primeiro, ele marcou um pênalti (legítimo) de Piqué em Cardozo. O próprio Cardozo bateu e Casillas defendeu. Os espanhóis chegaram a invadir a área, mas o lance não foi anulado. Praticamente na sequência, a bola foi ao ataque espanhol e Villa caiu na área em disputa com Alcaraz, num pênalti controverso. Xabi Alonso bateu e marcou, mas Batres anulou, alegando invasão de área — porém, os dois times haviam entrado antes do chute. Na nova cobrança de Xabi Alonso, o goleiro Villar defendeu e, em seguida, teve que derrubar Fábregas para evitar o gol no rebote. Este, sim, um pênalti claro a favor da Espanha, mas que passou batido pelo árbitro.

A partir daí, a Fúria foi para cima. Mas o gol só saiu aos 38 minutos, de forma muito chorada. Iniesta arrancou em direção à área e serviu Pedro, que bateu na saída do goleiro. A bola tocou na trave direita e voltou para Villa, que dominou e, na tentativa de tirar dos dois zagueiros postados sobre a risca de gol, bateu no canto esquerdo. A bola foi na trave, correu a linha e tocou o pé da trave direita antes de, enfim, entrar. O drama não acabou aí. Aos 43, Barrios chutou forte e Casillas deu rebote. A bola caiu com Santa Cruz, que bateu no canto direito. O goleiro espanhol salvou com o pé e classificou seu time. A rigor, é a primeira vez que a Espanha disputa uma semifinal de Copa do Mundo. A equipe chegou a ser quarta colocada em 1950, no Brasil. Na ocasião, porém, não havia semifinais clássicas, e sim um quadrangular final, do qual também participaram Brasil, Uruguai e Suécia.

PARAGUAI 0
Villar; Verón, Da Silva, Alcaraz e Morel Rodriguez; Barreto (Véra), Cáceres (Barrios), Santana e Riveros; Cardozo e Valdez (Santa Cruz). Técnico: Gerardo Martino.

ESPANHA 1
Casillas; Sergio Ramos, Puyol (Marchena), Piqué e Capdevila; Busquets, Xabi Alonso (Pedro), Xavi e Iniesta; Torres (Fábregas) e Villa. Técnico: Vicente del Bosque.

Gol: Villa (37-2º)
Local: estádio Ellis Park, em Johannesburgo
Juiz: Carlos Batres (Guatemala)
Cartões amarelos: Alcaraz, Morel Rodriguez, Cáceres, Santana (P); Piqué, Xabi Alonso (E)

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