África do Sul 2 x 1 França – Um bom vencedor, um péssimo perdedor

África do Sul e França estavam em situação semelhante para o duelo desta terça-feira (22/6); ambos precisavam aplicar uma goleada nesta partida e contar que houvesse um vencedor no outro jogo do grupo, entre México e Uruguai. Para piorar, o clima para ambos não era dos melhores. Os africanos estavam pessimistas, diante do risco de serem os primeiros donos da casa a caírem na primeira fase de uma Copa. E os franceses viviam uma crise do tamanho de um planeta. A África do Sul não conseguiu o que queria, mas ao menos venceu o jogo por 2 a 1, dando orgulho ao povo e mostrando que a França é péssima perdedora.

Uma rápida cronologia da crise francesa incluía os palavrões que o atacante Anelka disse ao técnico Raymond Domenech ao ser substituído diante do Uruguai; a decisão da delegação em dispensar o jogador; a revolta dos demais colegas com a dispensa; a recusa do grupo em treinar no domingo; a briga entre o lateral e capitão Evra e o preparador físico; e a demissão do chefe da delegação. Acrescente a isso um time mal-escalado, com uma defesa fragilizada e os avantes Malouda e Henry no banco de reservas. Foi um prato cheio para a diversão sul-africana. O time, que ao contrário dos outros jogos atuava com dois atacantes de ofício (Parker e Mphela), impunha um ritmo até então não visto e não teve dificuldades para marcar dois gols, com Khumalo (aos 20 minutos) e Mphela (aos 37). Entre um gol e outro, a França ainda teve a expulsão do meia Gourcuff, que deixou o cotovelo na cara de um rival. Mas nem fazia diferença.

Animada com a perspectiva de se classificar, se marcasse mais dois gols, a África do Sul foi para cima na etapa final. Mphela chutou uma bola no travessão, exigiu uma bela defesa de Lloris e pedeu um gol no bico da pequena área. Pienaar teve outra boa chance, que parou em Lloris. Mas, muito ofensiva, a equipe da casa levou um gol em um contra-ataque. Ribery, em posição duvidosa, deixou Malouda (que havia entrado na partida) livre para marcar. Foi uma ducha de água fria no time de Carlos Alberto Parreira, que limitou-se a, ao menos, garantir uma vitória honrosa. Ao fim do jogo, Parreira foi cumprimentar o colega Domenech, mas este lhe virou as costas. O brasileiro insistiu no cumprimeiro e teve que ouvir xingamentos com o biquinho francês de Domenech, que ainda lhe deu de dedo.

Pouco importava. Para Parreira, o jogo teve significados especiais. Ele obteve a primeira vitória em um Mundial por outra equipe que não a seleção brasileira — havia dirigido também Kuwait (em 1982), Emirados Árabes (1990) e Arábia Saudita (1998). E vingou-se dos franceses, que causaram sua demissão precoce ao derrotá-lo em 1998 (4 a 0) e o deixaram de fora das semifinais em 2006, com a seleção brasileira.

FRANÇA 1
Lloris; Sagna, Gallas, Squillaci e Clichy; Diarra (Govou), Diaby, Gourcuff e Ribéry; Cissé (Henry) e Gignac (Malouda). Técnico: Raymond Domenech.

ÁFRICA DO SUL 2
Josephs; Ngcongca (Gaxa), Mokoena, Khumalo e Masilela; Sibaya, Khuboni (Modise), Tshabalala e Pienaar; Parker (Nomvethe) e Mphela. Técnico: Carlos Alberto Parreira.

Local: estádio Free State, em Bloemfontein
Gols: Khumalo, aos 20min, e Mphela, aos 37 do 1º tempo; Malouda, aos 26 do 2º tempo
Juiz: Óscar Ruiz (Colômbia)
Cartão amarelo: Diaby (F)
Cartão vermelho: Gourcuff (F)

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