África do Sul 0 x 3 Uruguai – Africanazo

O dia era 16 de junho, data histórica da África do Sul. Neste dia, em 1976, houve o levante de Soweto. Crianças e jovens negros que simplesmente não queriam que o africâner, língua oficial dos brancos do país, fosse instituído como idioma único no ensino em escolas. Eles foram recebidos a bala pela polícia (comandada pelos brancos). O país chorou. O ato fez com que os negros começassem a se erguer contra o detestável apartheid e o dia ficou conhecido como “dia da juventude”. Trinta e quatro anos depois, o país voltou a chorar no dia 16 de junho, desta vez por causa de um único homem, o uruguaio Diego Forlán. Ele fez dois gols e criou a jogada do terceiro na vitória de 3 a 0 sobre os anfitriões da Copa. Um verdadeiro Africanazo.

Por estar em um grupo teoricamente difícil, a África do Sul temia uma eliminação precoce. O medo deu lugar à alegria depois do empate em 1 a 1 com o México, no dia 11 de junho. O brasileiro Carlos Alberto Parreira, que treina a equipe sul-africana, disse que estava muito feliz e confiante na classificação. Armou o time com a mesma tática vista na partida de abertura, apenas com uma troca na lateral-esquerda (Masisela em fvez de Thwala). Mas o que deu certo contra os mexicanos emperrou diante dos uruguaios, que se mostraram mais fortes defensivamente. Na equipe sul-americana, o técnico Oscar Tabarez segurou mais o ala Maxi Pereira, manteve os três zagueiros e colocou o atacante Diego Forlán como um meia, para preparar jogadas para Suárez e o estreante Cavani. E não é que deu certo?

No primeiro tempo, o domínio uruguaio foi amplo. A África do Sul segurou-se como pôde. Só não segurou Forlán. Aos 23 minutos, ele bateu firme, de fora da área. A bola resvalou em Mokoena, subiu e tocou o travessão antes de entrar. Na etapa final, os sul-africanos demoraram para se encontrar em campo. Quando estavam conseguindo, levaram o segundo gol. Aos 31 minutos, o goleiro Khune derrubou Suárez na área e viu o árbitro marcar pênalti e expulsá-lo. Depois de três minutos, Forlán executou a cobrança em cima do goleiro reserva, Josephs: 2 a 0. Com o jogo já decidido, aos 50 minutos, Forlán voltou a aprontar: lançou para Suárez, que deixou Alvaro Pereira livre para marcar o teceiro.

ÁFRICA DO SUL 0
Knune; Gaxa, Mokoena, Khumalo e Masilela; Dikgakoi, Letsholonyane (Moriri), Tshabalala, Modise e Pienaar (Josephs); Mphela. Técnico: Carlos Alberto Parreira

URUGUAI 3
Muslera; Lugano, Godín e Fucile (Álvaro Fernández); Maxi Pereira, Diego Pérez (Gargano), Arévalo, Forlán e Alvaro Pereira; Cavani (Sebastián Fernández) e Luis Suárez. Técnico: Óscar Tabárez

Gols: Forlán (23-1º e 34-2º), Alvaro Pereira (50-2º)
Local: estádio Loftus Versfeld, em Pretória
Juiz: Massimo Busacca (Suíça)
Cartões amarelos: Dikgacoi, Pienaar
Cartão vermelho: Khune (31-2º)

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